Mostrando postagens com marcador cérebro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cérebro. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

UM DISPOSITIVO COMPUTACIONAL FLEXÍVEL

Imagem Google

O segredo para compreender nosso sucesso – e nossa oportunidade futura – é a enorme capacidade do cérebro de se adaptar, conhecida como plasticidade cerebral. Como vimos no Capítulo 2, essa característica tem nos permitido entrar em qualquer ambiente e obter as peculiaridades locais de que precisamos para sobreviver, inclusive a língua, as pressões ambientais ou as exigências culturais locais.

A plasticidade do cérebro também é a chave para o nosso futuro, porque abre a porta para fazer modificações em nosso próprio equipamento. Vamos começar pela compreensão do quanto o cérebro é flexível como dispositivo computacional. Pense no caso de uma jovem chamada Cameron Mott. Aos quatro anos, ela começou a ter convulsões violentas. As convulsões eram agressivas: Cameron de repente caía no chão, o que exigia o uso de um capacete o tempo todo. Rapidamente ela recebeu o diagnóstico de uma doença rara e debilitante chamada encefalite de Rasmussen. Seus neurologistas sabiam que essa forma de epilepsia levaria à paralisia e, por fim, à morte – e assim propuseram uma cirurgia drástica. Em 2007, em uma operação que levou quase 12 horas, uma equipe de neurocirurgiões removeu toda uma metade do cérebro de Cameron.

Quais seriam os efeitos de longo prazo da remoção de metade de seu cérebro? O que ocorreu é que as consequências foram surpreendentemente leves. Cameron tem um lado do corpo mais fraco, mas, tirando isso, essencialmente não pode ser distinguida das outras crianças de sua turma. Ela não tem problemas para compreender a língua, a música, a matemática, as histórias. É boa aluna e participa de esportes.

Como isso é possível? Não é que metade do cérebro de Cameron simplesmente não fosse necessária; na realidade, a metade restante remodelou seus circuitos dinamicamente para assumir as funções perdidas, espremendo todas as operações em metade do espaço cerebral. A recuperação de Cameron sublinha uma capacidade extraordinária do cérebro: ele se remodela para se adaptar aos dados que entram, aos que são emitidos e às tarefas que precisa cumprir.

Desta forma decisiva, o cérebro é fundamentalmente diferente do hardware de nossos computadores digitais. Ele é um circuito vivo que reconfigurou o próprio circuito. Embora o cérebro adulto não seja tão flexível quanto o de uma criança, ainda conserva uma capacidade impressionante de se adaptar e mudar.

Como vimos em capítulos anteriores, sempre que aprendemos alguma coisa nova, seja um mapa de Londres ou a capacidade de empilhar copos, o cérebro se transforma. É essa propriedade do cérebro – sua plasticidade – que permite uma nova combinação entre nossa tecnologia e nossa biologia.

domingo, 17 de janeiro de 2021

Cérebro: Uma biografia

 


Cérebro: Uma biografia (Excertos)

David  Eagleman

QUEM SOU EU?

Todas as experiências em sua vida, de uma simples conversa a toda a sua cultura, moldam os detalhes microscópicos de seu cérebro. Do ponto de vista neural, quem você é depende de onde você esteve. Seu cérebro muda incansavelmente, reescreve de modo constante os próprios circuitos 

– e, como as experiências que você tem são únicas, os padrões vastos e detalhados de suas redes neurais são igualmente singulares. Como essas redes mudam incessantemente por toda a sua vida, a sua identidade é um alvo móvel, que jamais atinge um ponto final.

NASCIDO INACABADO

Quando nascemos, nós, seres humanos, somos indefesos. Passamos cerca de um ano incapazes de caminhar, outros dois, sem conseguir articular pensamentos completos, e muitos outros anos, incapazes de nos defender sozinhos. Para sobreviver, somos completamente dependentes daqueles que nos cercam.

Agora, compare isso com a vida de muitos outros mamíferos. Os golfinhos, por exemplo, já nascem nadando. As girafas aprendem a ficar de pé em questão de horas. Um filhote de zebra já consegue correr 45 minutos depois de vir ao mundo. Em todo o reino animal, nossos primos são incrivelmente independentes logo depois de nascer.

Diante desses fatos, esta parece ser uma grande vantagem para outras espécies – mas, na realidade, significa uma limitação. Os filhotes de animais desenvolvem-se rapidamente porque seu cérebro está conectado de acordo com uma rotina em larga medida pré-programada. Mas o que se ganha em prontidão se perde em flexibilidade. Imagine se um rinoceronte azarado se vê na tundra do Ártico, no alto de uma montanha do Himalaia ou no meio da Tóquio urbana. Ele não teria capacidade de se adaptar (e é por isso que não encontramos rinocerontes nessas regiões). A estratégia de chegar ao mundo com um cérebro preordenado funciona em um determinado nicho do ecossistema – mas retire o animal desse nicho e suas chances de prosperar serão baixas.

Já o homem é capaz de prosperar em muitos ambientes diferentes, da tundra congelada às altas montanhas e aos movimentados centros urbanos. Isso é possível porque o cérebro humano nasce extraordinariamente inacabado. Em vez de chegar com tudo conectado, como se fosse, digamos, um “circuito rígido”, o cérebro humano se permite ser moldado pelas particularidades da experiência cotidiana. Isso leva a longos períodos de impotência, à medida que o jovem cérebro aos poucos se adapta ao ambiente.

Ele tem um “circuito vivo”.

PLASTICIDADE NA IDADE ADULTA

Quando chegamos aos 25 anos, as transformações cerebrais da infância e da adolescência finalmente acabaram. As mudanças tectônicas em nossa identidade e personalidade cessam e agora nosso cérebro parece estar plenamente desenvolvido. É de se pensar que, na idade adulta, não haverá mais mudanças em quem somos, mas não é bem assim: mesmo nessa fase, o cérebro continua a mudar. Podemos descrever como “plástico” algo que pode ser moldado e que pode sustentar uma forma. O mesmo acontece com o cérebro, até na idade adulta: ele é alterado pela experiência e a retém.

Leia mais em: https://faculdadeplus.edu.br/wp-content/uploads/2020/03/Cerebro_-Uma-biografia-Origem-David-Eagleman_220120184915.pdf


sábado, 7 de novembro de 2020

O cérebro numa cuba

 

Sobre: O cérebro numa cuba  

O cérebro numa cuba, é um experimento mental que pode ser a representação de uma ideia que foi sendo desenvolvida ao longo dos tempos, ou seja, cronologicamente seria a discussão sobre o real ou virtual, que iniciou em Platão até a contemporaneidade, segundo Ben Dupré (2007).

Essa problemática sobre realidade ou fantasia, teria iniciado por Platão quando da criação da obra Mito da Caverna, avançando para o dualismo mente-corpo1, discussão essa iniciada em Descartes e que continua com o mesmo filósofo no Cogito ergo sum; passando pela obra o Navio de Teseu2, que conta como um navio começou e terminou uma viagem, também outra estória por esse viés filosófico.

Nessa linha do tempo, e dando continuidade à discussão sobre realidade virtual, em 1690 é escrito O Véu da Percepção3, que trata de aparência e realidade, em Bertrand Russell.

Seguindo a trajetória proposta no texto da experiência do “cérebro numa cuba”, deparamo-nos com o texto de 1974: A máquina de experiências4 sobre o pensamento do filósofo norte-americano Robert Nozick, que trata também do tema sobre realidades virtuais, sendo que nesse caso o autor preocupa-se “[...]com a situação das pessoas antes de serem ligadas à máquina”.

Tal trajetória dessa discussão nos é apresentada mais recentemente em 1981 através da obra de Ben Dupré: 50 ideias de filosofia que você precisa conhecer, na parte em que o autor discorre sobre “O cérebro numa cuba”.

Observamos também a relação existente entre o texto de Ben Dupré de 2007 com o trecho do episódio do seriado da Netflix: “San Junipero”, série britânica cuja produção é de 2016, assim dando contin~uidade “a experiência de sonho” estando acordado.

Segundo o autor da história de 1981, o filósofo norte-americano Hilary Putnam, em seu livro Reason, Truth, and History poderemos afirmar que nosso cérebro não se encontra em uma cuba sustentado por químicas contemporâneas, ao invés de estar dentro da caixa craniana como tem sido nos informado pela ciência?

Segundo Dupré (2007), essa história de Putnam (1981) que faz parte do livro acima referenciado, está relacionada com a obra de René Descartes Meditações sobre a filosofia primeira de 1641, quando o filósofo cria a figura do gênio maligno, que indicaria “[...]a falta e confiabilidade nos nossos sentidos e a confusão criada pelos sonhos.”, fato esse que até hoje lança um véu sobre a filosofia.

Sendo assim, ou seja, através da linha do tempo traçada no texto inferimos que essa problemática não é novidade; é uma discussão que tem sido imaginada ou fantasiada ao longo de décadas e que busca discutir o ceticismo, alavancado por Descartes.

Essas discussões ao longo do tempo sobre se é verdade ou não, se os homens estão ou não acordados, se a realidade é essa mesma em que vivemos leva-nos a discutir ceticismo e conhecimento, isto é, quando para o senso comum: cético seria aquele indivíduo que de tudo duvida;  para o ceticismo filosófico homens duvidam porque não tem como garantir o conhecimento herdado, e se esse conhecimento garantiria nossa existência!

Concluindo esse escrito buscamos responder a questão sobre se o experimento cérebro numa cuba, seria ou não uma renovação desenvolvida no episódio “San Junipero”, quando deduzimos que sim! Pois também segundo Russel (1912, p. 7): “[...]Existe no mundo algum conhecimento tão certo que nenhum homem razoável possa dele duvidar?”.

Referências bibliográficas

Dupré, Ben. 50 ideias de filosofia que você precisa conhecer; tradução Rosemarie Ziegelmaier. - 1. ed. - São Paulo: Planeta, 2015.

Russel, B. Os Problemas da Filosofia. Oxford University Press paperback, 1959. Reimpresso em 1971-2. Tradução Jaimir Conte. Florianopólis, setembro de 2005.