domingo, 17 de janeiro de 2021

Cérebro: Uma biografia

 


Cérebro: Uma biografia (Excertos)

David  Eagleman

QUEM SOU EU?

Todas as experiências em sua vida, de uma simples conversa a toda a sua cultura, moldam os detalhes microscópicos de seu cérebro. Do ponto de vista neural, quem você é depende de onde você esteve. Seu cérebro muda incansavelmente, reescreve de modo constante os próprios circuitos 

– e, como as experiências que você tem são únicas, os padrões vastos e detalhados de suas redes neurais são igualmente singulares. Como essas redes mudam incessantemente por toda a sua vida, a sua identidade é um alvo móvel, que jamais atinge um ponto final.

NASCIDO INACABADO

Quando nascemos, nós, seres humanos, somos indefesos. Passamos cerca de um ano incapazes de caminhar, outros dois, sem conseguir articular pensamentos completos, e muitos outros anos, incapazes de nos defender sozinhos. Para sobreviver, somos completamente dependentes daqueles que nos cercam.

Agora, compare isso com a vida de muitos outros mamíferos. Os golfinhos, por exemplo, já nascem nadando. As girafas aprendem a ficar de pé em questão de horas. Um filhote de zebra já consegue correr 45 minutos depois de vir ao mundo. Em todo o reino animal, nossos primos são incrivelmente independentes logo depois de nascer.

Diante desses fatos, esta parece ser uma grande vantagem para outras espécies – mas, na realidade, significa uma limitação. Os filhotes de animais desenvolvem-se rapidamente porque seu cérebro está conectado de acordo com uma rotina em larga medida pré-programada. Mas o que se ganha em prontidão se perde em flexibilidade. Imagine se um rinoceronte azarado se vê na tundra do Ártico, no alto de uma montanha do Himalaia ou no meio da Tóquio urbana. Ele não teria capacidade de se adaptar (e é por isso que não encontramos rinocerontes nessas regiões). A estratégia de chegar ao mundo com um cérebro preordenado funciona em um determinado nicho do ecossistema – mas retire o animal desse nicho e suas chances de prosperar serão baixas.

Já o homem é capaz de prosperar em muitos ambientes diferentes, da tundra congelada às altas montanhas e aos movimentados centros urbanos. Isso é possível porque o cérebro humano nasce extraordinariamente inacabado. Em vez de chegar com tudo conectado, como se fosse, digamos, um “circuito rígido”, o cérebro humano se permite ser moldado pelas particularidades da experiência cotidiana. Isso leva a longos períodos de impotência, à medida que o jovem cérebro aos poucos se adapta ao ambiente.

Ele tem um “circuito vivo”.

PLASTICIDADE NA IDADE ADULTA

Quando chegamos aos 25 anos, as transformações cerebrais da infância e da adolescência finalmente acabaram. As mudanças tectônicas em nossa identidade e personalidade cessam e agora nosso cérebro parece estar plenamente desenvolvido. É de se pensar que, na idade adulta, não haverá mais mudanças em quem somos, mas não é bem assim: mesmo nessa fase, o cérebro continua a mudar. Podemos descrever como “plástico” algo que pode ser moldado e que pode sustentar uma forma. O mesmo acontece com o cérebro, até na idade adulta: ele é alterado pela experiência e a retém.

Leia mais em: https://faculdadeplus.edu.br/wp-content/uploads/2020/03/Cerebro_-Uma-biografia-Origem-David-Eagleman_220120184915.pdf


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