Sobre: O cérebro numa cuba
O cérebro numa cuba, é um experimento mental que pode ser a representação de uma ideia que foi sendo desenvolvida ao longo dos tempos, ou seja, cronologicamente seria a discussão sobre o real ou virtual, que iniciou em Platão até a contemporaneidade, segundo Ben Dupré (2007).
Essa problemática sobre realidade ou fantasia, teria iniciado por Platão quando da criação da obra Mito da Caverna, avançando para o dualismo mente-corpo1, discussão essa iniciada em Descartes e que continua com o mesmo filósofo no Cogito ergo sum; passando pela obra o Navio de Teseu2, que conta como um navio começou e terminou uma viagem, também outra estória por esse viés filosófico.
Nessa linha do tempo, e dando continuidade à discussão sobre realidade virtual, em 1690 é escrito O Véu da Percepção3, que trata de aparência e realidade, em Bertrand Russell.
Seguindo a trajetória proposta no texto da experiência do “cérebro numa cuba”, deparamo-nos com o texto de 1974: A máquina de experiências4 sobre o pensamento do filósofo norte-americano Robert Nozick, que trata também do tema sobre realidades virtuais, sendo que nesse caso o autor preocupa-se “[...]com a situação das pessoas antes de serem ligadas à máquina”.
Tal trajetória dessa discussão nos é apresentada mais recentemente em 1981 através da obra de Ben Dupré: 50 ideias de filosofia que você precisa conhecer, na parte em que o autor discorre sobre “O cérebro numa cuba”.
Observamos também a relação existente entre o texto de Ben Dupré de 2007 com o trecho do episódio do seriado da Netflix: “San Junipero”, série britânica cuja produção é de 2016, assim dando contin~uidade “a experiência de sonho” estando acordado.
Segundo o autor da história de 1981, o filósofo norte-americano Hilary Putnam, em seu livro Reason, Truth, and History poderemos afirmar que nosso cérebro não se encontra em uma cuba sustentado por químicas contemporâneas, ao invés de estar dentro da caixa craniana como tem sido nos informado pela ciência?
Segundo Dupré (2007), essa história de Putnam (1981) que faz parte do livro acima referenciado, está relacionada com a obra de René Descartes Meditações sobre a filosofia primeira de 1641, quando o filósofo cria a figura do gênio maligno, que indicaria “[...]a falta e confiabilidade nos nossos sentidos e a confusão criada pelos sonhos.”, fato esse que até hoje lança um véu sobre a filosofia.
Sendo assim, ou seja, através da linha do tempo traçada no texto inferimos que essa problemática não é novidade; é uma discussão que tem sido imaginada ou fantasiada ao longo de décadas e que busca discutir o ceticismo, alavancado por Descartes.
Essas discussões ao longo do tempo sobre se é verdade ou não, se os homens estão ou não acordados, se a realidade é essa mesma em que vivemos leva-nos a discutir ceticismo e conhecimento, isto é, quando para o senso comum: cético seria aquele indivíduo que de tudo duvida; para o ceticismo filosófico homens duvidam porque não tem como garantir o conhecimento herdado, e se esse conhecimento garantiria nossa existência!
Concluindo esse escrito buscamos responder a questão sobre se o experimento cérebro numa cuba, seria ou não uma renovação desenvolvida no episódio “San Junipero”, quando deduzimos que sim! Pois também segundo Russel (1912, p. 7): “[...]Existe no mundo algum conhecimento tão certo que nenhum homem razoável possa dele duvidar?”.
Referências bibliográficas
Dupré, Ben. 50 ideias de filosofia que você precisa conhecer; tradução Rosemarie Ziegelmaier. - 1. ed. - São Paulo: Planeta, 2015.
Russel, B. Os Problemas da Filosofia. Oxford University Press paperback, 1959. Reimpresso em 1971-2. Tradução Jaimir Conte. Florianopólis, setembro de 2005.