COMPETÊNCIAS A SEREM MOBILIZADAS PELO PROFESSOR PARA A ELABORAÇÃO DA TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA
• Relacionar os conteúdos das disciplinas e áreas com fatos, fenômenos e movimentos da atualidade.
• Articular no trabalho de sua disciplina as contribuições de outras disciplinas e de outras áreas do conhecimento.
• Fazer uso das novas linguagens e tecnologias.
• Planejar e realizar situações didáticas utilizando os conhecimentos das disciplinas e áreas, dos temas sociais, dos contextos sociais relevantes para a aprendizagem e das didáticas específicas.
• Aplicar o princípio da contextualização dos conteúdos como estratégia de aprendizagem.
• Selecionar contextos, problemáticas e abordagens que sejam pertinentes à aprendizagem de cada saber disciplinar e adequados à etapa de desenvolvimento do aluno.
• Utilizar diferentes e flexíveis modos de organização do tempo, do espaço e de agrupamento dos alunos.
• Manejar diferentes estratégias de aprendizagem, considerando a diversidade dos alunos e os conteúdos.
• Selecionar, produzir e utilizar materiais e recursos didáticos, diversificando e potencializando seu uso em diferentes situações.
• Utilizar estratégias diversificadas de avaliação da aprendizagem e, a partir de seus resultados, formular propostas de intervenção didática.
• Promover uma prática educativa que considere as características dos alunos e da comunidade, os temas e as necessidades do mundo social.
UM EXEMPLO DE TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA
Um professor de língua portuguesa desenvolveu a seguinte situação de aprendizagem com seus alunos da 1 a série do ensino médio:
• Dividiu a classe em subgrupos para escrever uma carta ao diretor da escola pedindo a liberação do prédio nos fins de semana para atividades esportivas e culturais. Em cada grupo, um observador registraria todas as discussões que ocorressem durante a elaboração da carta.
• Ao final da escrita, o grupo deveria discutir o que ocorrera durante a produção e chegar a um consenso sobre os aspectos essenciais do ato de escrever.
O objetivo da atividade era que os alunos, ao identificarem a natureza do ato de escrever, construíssem acerca da escrita um conhecimento relevante para o desenvolvimento da competência de analisar, interpretar e aplicar os recursos expressivos da linguagem, da área de Linguagem e Códigos.
Foi o que ocorreu: ao discutir os problemas que se colocaram e ao analisar os registros de suas interações, os alunos tomaram consciência de que a escrita envolvia processos de planejamento, textualização e revisão, de que esses processos são recursivos, de que, ao se escrever, é necessário enfrentar e resolver múltiplos problemas. A possibilidade de socializarem a discussão e o acordo entre as conclusões dos diferentes grupos permitiram a abstração dos aspectos essenciais do ato de escrever e possibilitaram a compreensão da escrita como uma atividade inserida em um contexto comunicativo. Nesse momento, o que estava posto em jogo era a significação das experiências dos alunos com relação ao ato de escrever.
A transposição didática fica evidenciada quando se analisam as características da situação proposta. O professor planejou trabalhar com o objeto de conhecimento língua portuguesa e, para ensinar, fez escolhas, estabelecendo uma forma de transposição didática. Por exemplo:
• recortou e selecionou um aspecto do conteúdo: a natureza da escrita;
• considerou o que os alunos sabiam sobre o ato de escrever e propiciou uma situação em que eles pudessem conceitualizar o objeto de conhecimento;
• criou uma situação de aprendizagem contextualizada preservando o sentido social dessa atividade, no caso, a necessidade de escrever com uma intenção e para um destinatário real;
• propiciou uma situação-problema: os alunos tinham de desempenhar uma tarefa que se constituía no enfrentamento de um problema real;
• facilitou a tomada de consciência: a consciência do que eles fazem como leitores escritores leva-os a explicitar um conhecimento que já possuíam implicitamente e que entra em ação quando posto em prática.
Em síntese, o conhecimento do professor sobre o objeto de conhecimento língua portuguesa, por um lado, e o conhecimento sobre como ensinar esse objeto, por outro, foi necessário para que tomasse decisões que transformaram didaticamente o objeto de ensino sem descaracterizar o objeto de conhecimento.
Por uma didática dos sentidos
GUIOMAR NAMO DE MELLO
https://ria.ufrn.br/jspui/handle/123456789/735

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