segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Neurociência: Condições básicas para a aprendizagem

 Desenvolvimento neural

  • Bebês humanos nascem com cerca de 100 bilhões de neurônios.
  • Para estimular conexões e impulsos elétricos o cérebro em desenvolvimento precisa de estimulação (experiências sensoriais).
  • A aprendizagem de uma criança é o resultado de um input que causa a estimulação elétrica através de uma sinapse ou de intervalos entre neurônios.

Dois elementos químicos possuem um papel fundamental no desenvolvimento do cérebro e, onsequentemente, também na aprendizagem: o serotonina e o cortisol.

  • O hormônio neurotransmissor serotonina é produzido naturalmente (quando a criança se sente amada, cuidada e feliz). O serotonina constrói as transmissões elétricas através dos neurônios para estabelecer as conexões ou sinapses.
  • O hormônio cortisol é produzido sob condições estressantes e pode inibir a produção de serotonin a. Níveis elevados de estresse por longos períodos de tempo inibem a conexão entre os neurônios que são necessários para a aprendizagem.
  • A interação com os pais em um ambiente emocionalmente saudável estimula o crescimento e os padrões dessas conexões no cérebro. Na medida em que as sinapses são fortalecidas, através da repetição de experiências, são formadas as conexões e os caminhos que estruturam o modo como a criança aprende.
  • Se um determinado caminho não é utilizado ele é eliminado através do desbaste neural. Quando a conexão é estimulada com frequência ela tende a se tornar permanente.

Efeitos do Cortisol em Adultos
O cortisol é um dos hormônios produzidos pelas glândulas supra-renais e é secretado em resposta ao estresse. Em quantidades moderadas, o cortisol não é prejudicial. Porém, quando produzido em excesso – como conseqüência do estresse crônico – ele é tão tóxico para o cérebro que acaba destruindo ou danificando os neurônios.

A exposição crônica do cérebro a níveis tóxicos de cortisol é a principal causa da degeneração cerebral durante o processo de envelhecimento. O cortisol excessivo ao longo do tempo destrói a integridade bioquímica do cérebro.
Acredita-se, que a toxicidade do cortisol é uma das principais causas do mal de Alzheimer. Definido de maneira simples, o mal de Alzheimer é um distúrbio mental caracterizado pela excessiva destruição de neurônios. A produção excessiva de cortisol também é uma das principais causas da morte de tais células.

O estresse prejudica o funcionamento adequado do cérebro e, como conseqüência, afeta de modo substancial a memória.
(1) Quando o cortisol é liberado em situações estressantes, ele inibe a liberação de glicose em uma das áreas mais importantes para a memória, o hipocampo. Se não houver glicose no hipocampo (provocando uma escassez crítica de energia), o cérebro não conseguirá, quimicamente, registrar uma memória.
(2) A superprodução de cortisol interfere na função dos neurotransmissores. As células cerebrais não conseguem se comunicar umas com as outras, e isso pode gerar alguns distúrbios.
(3) O excesso de cortisol rompe com o metabolismo normal das células nervosas e faz com que quantidades demasiadas de cálcio sejam liberadas. O excesso de cálcio produz as moléculas conhecidas como "radicais livres", que matam as células nervosas.

Ciclo de Palestras: Qualidade na Vida Acadêmica Neurociência e Aprendizagem
Prof. Dr. Juliano Santos do Carmo - UFPEL
Laboratório de Neurociências Clínicas da UCPEL
Grupo de Pesquisa "Cognição e Comportamento"



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Utilize com moderação.