Durante a segunda metade do século XVIII, aparece uma tecnologia de poder que se acopla à disciplina:
“Uma tecnologia de poder que não excluía a primeira, que não exclui a técnica disciplinar, mas que a embute, que a integra, que a modifica parcialmente e que, sobretudo, vai utilizá-la implantando-se de certo modo nela, e incrustando-se efetivamente graças a essa técnica disciplinar prévia” (FOUCAULT, EDS, p. 203).
Ações de governo que tornam a vida como centro dos seus dispositivos de poder, objetivando conduzir o comportamento de uma população.
“O poder se situa e [se] exerce ao nível da vida, da espécie, da raça, dos fenômenos maciços da população.” (FOUCAULT, HS1, p. 149-150).
- ações políticas que têm a vida como centralidade dos seus dispositivos de poder
- Objetivo: gerenciamento da população por meio do controle do corpo.
- Como? O Estado e as instituições de governo utilizam os saberes que são produzidos sobre o corpo para elaborar os dispositivos de controle da vida.
- vida se configura como mero instrumento daqueles que governam.
- tema do governo articulado com a biopolítica: exame das formas como os indivíduos se sujeitam e obedecem + as maneiras pelas quais os Estados europeus se consolidaram durante a Modernidade (séculos XVII-XIX)
- centralidade do corpo: pois ele é o principal meio de controle da vida
- os indivíduos precisam de um corpo para existir e para produzir, logo, conhecer e dominar o corpo foi fundamental para a implementação das biopolíticas.
- Europa: ocorreu de modo concomitante com a industrialização, a queda das monarquias, a ascensão da classe burguesa e o estabelecimento do sistema capitalista na economia.
- a biopolítica desenvolve seus mecanismos visando a gestão das pessoas em conjunto, fixando-se nos fenômenos da natalidade e da mortalidade, da higiene pública, e se utilizando de dados estatísticos e cálculos matemáticos para administrar as práticas sociais.
- ela se caracteriza pela inserção de instituições governamentais nas microrrelações
- se os mecanismos de poder desenvolvidos pelo Estado se efetivam, se reproduzem e se mantém é porque eles estão sendo igualmente reproduzidos nos níveis mais íntimos e pessoais das relações.
- isso somente é possível por meio da biopolítica → são esses mecanismos que possibilitam que o Estado atinja as relações interpessoais, ordenando-as. Macro agindo no micro.
Perspectiva foucaultiana possibilita o estudo da formação dos dispositivos e das estratégias de poder que formaram os discursos e as práticas sociais colonialistas, que pretendiam a “civilização” dos povos ameríndios e a docilização dos escravos. A discriminação e a hierarquização de indivíduos com base na cor da pele, determinando quem era livre e quem era escravo, atravessou a formação dos povos latino-americanos de um modo geral. No entanto, deve-se sempre se observar as particularidades de cada lugar, em especial o Brasil, cujo é a sociedade na qual vivemos e estamos tentando compreender.