sexta-feira, 9 de abril de 2021

O ensino de filosofia para crianças

  A Filosofia para Crianças é um programa pedagógico que visa desenvolver as capacidades de raciocínio e do pensamento em geral, assim como as capacidades de verbalização do pensamento e aspectos cruciais da construção da comunicação, como o confronto de ideias e a reflexão em grupo. Esta aprendizagem multifacetada da atividade do pensar é feita através da criação de um diálogo, tem como fim promover o pensamento através de uma comunidade de investigação na sala de aula, onde as crianças são encorajadas a falar e a ouvir umas às outras e assim discutir ideias filosóficas na presença de um facilitador.

A proposta “Filosofia para Crianças” insere-se em uma perspectiva da educação para o “pensar”, segundo o qual o ensino é resultado de um processo de investigação do qual o professor, despido de sua infalibilidade, participa apenas como orientador ou facilitador, pois o enfoque não está mais na “aquisição de informações”, mas na percepção das relações contidas nos temas investigados. O que se pretende é que os alunos pensem, reflitam e desenvolvam cada vez mais o uso da razão, bem como sua capacidade de serem criteriosos. A proposta deseja desafiar o aluno a pensar de maneira organizada e crítica sobre os valores da sociedade, os quais a escola transforma ou perpetua.

Lipman considera o diálogo a parte mais importante, e ele deve acontecer com base no respeito mútuo, no reconhecimento dos participantes, na consideração das razões que sustentam as ideias propostas. Assim, o “diálogo investigativo” é a conversação na qual o aluno possa aprender a se posicionar diante de situações, a ouvir os colegas, a respeitar as demais opiniões, a refletir sobre as respostas dadas, a justificar as afirmações, a reconhecer e corrigir seus erros, pensando neles como hipóteses, tentativas de acertos.

O “diálogo investigativo” pode desencadear a prática do questionamento. Aprender a fazer perguntas é fundamental para que os alunos reúnam condições de compreender e relacionar a imensa quantidade de informações que lhes chega e sobre elas tomar decisões necessárias em todos os níveis de seu cotidiano. A proposta “Filosofia para Crianças” se coloca como uma chance de olhar para a educação buscando novos horizontes.

O ensino da filosofia consiste em reconhecer e seguir bem de perto aquilo que as crianças estão pensando, ajudando-as a verbalizar e objetivar esses pensamentos e, depois, cuidando do desenvolvimento das ferramentas que necessitam para refletir a respeito desses pensamentos. A hipótese é que a filosofia faz as crianças viajarem no imaginário infantil, aproximando-se da filosofia pela admiração e pela curiosidade. A criança que filosofa tende a ser mais atenta e a buscar a informação que lhe permite um conhecimento aprofundado, tornando-se apta a questionar e a lidar com o desconhecido. 

Para que as crianças aprendam a manejar as ideias e não só os rótulos, não se mencionam os nomes dos filósofos no programa de Filosofia para Crianças, embora, certamente, suas ideias sejam de algum modo apresentadas. No devido tempo, as crianças descobrirão de quem são, originalmente, essas ideias, mas isso só deve acontecer após terem verdadeiramente trabalhado com as ideias tentando dar sentido a sua experiência, tentando ampliar seus próprios horizontes e, assim, chegarem a compreender a si mesmas e aos outros, de uma maneira mais ampla.

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A estrutura das aulas de filosofia para crianças de Lipman (1995) segue da seguinte forma: 

1) Leitura de uma parte do texto como uma novela filosófica, em voz alta, pelos alunos;

2) Indicação de passagens interessantes deste texto, o que permite a escolha de itens para a discussão, nada impede a participação do professor nesta etapa;

3) Discussão a respeito de um tema escolhido pelos alunos pode ser por votação;

4) Para fortalecer tal discussão, o professor pode, se considerar necessário, aplicar os exercício sugeridos no manual. Note-se que há uma quantidade de temas sugeridos nos planos de discussão dos manuais para cada episódio;

5) Não é necessário que a turma chegue a uma conclusão ou uma resposta único sobre a discussão, mas sim que faça uma avaliação sobre ela ao final de cada aula.


Leia mais em: https://www.marilia.unesp.br/Home/RevistasEletronicas/FILOGENESE/taniasouza.pdf

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